01 março 2005

Uma vida sem tabaco



Num press-release lançado hoje pela Comissão Europeia é anunciada

Uma nova campanha comunitária anti-tabagismo, orçamentada em 72 milhões de euros, foi hoje lançada com o objectivo de ajudar os jovens, os não fumadores e todos quantos querem deixar de fumar a viver uma vida sem tabaco.

Esta é uma das medidas que a Comissão Europeia está a planear para a luta contra o tabaco. Para além dessa, está ser finalizado um banco de imagens a usar nos maços de tabaco com avisos sobre a saúde, uma análise do uso de aditivos no cigarros e a proibição de fumar em lugares públicos.

Luís Filipe Pereira, Ministro da Saúde, deu o dito por não dito na proposta de lei sobre o fumo de tabaco em lugares públicos. O governo já estava em gestão e certamente uma tomada de posição mais firme, como tinha sido anunciada e ao encontro das medidas incentivadas pela UE, teria os seus custos eleitorais (haveria alguma diferença?). Teremos uma tomada de posição mais corajosa por parte do novo executivo? Quem dera...

Um exemplo ridículo do que a legislação actual permite é a existência em restaurantes de uma área de não fumadores separada da de fumadores por uma... tabuleta. Acontece assim, hoje, em Portugal.

Quando estive no Hospital São Francisco Xavier aquando do nascimento do meu filho, fumava-se no vão de escadas adjacente à sala de espera do piso 3. A corrente de ar trazia o fumo todo para dentro da sala de espera. Mas isso nem foi o pior. Nos quartos onde as futuras mães (e pais) esperam pela hora em que "tudo está preparado" para ir para a sala de partos, senti várias vezes o fumo de tabaco a impregnar o pequeno quarto partilhado por dois, por vezes três, casais. Fui espreitar o corredor e verifiquei que os meus primeiros suspeitos, os futuros pais que esperavam fora dos quartos, estavam inocentes. Sabendo de antemão a resposta, indaguei uma das auxiliares que limpava o quarto – "Como pode haver aqui um cheiro tão forte a tabaco? Os utentes do hospital não podem fumar aqui, pois não?" – timida, acenou negativamente. "Então quem está a fumar é pessoal do hospital!?" – nenhuma resposta – "Os médicos...?" – encolheu os ombros e foi-se embora. Será que não passa pela cabeça de ninguém que se estava dentro de um hospital?

Não sou totalmente contra fumar em lugares públicos, desde que esses locais públicos tenham condições para proporcionar aos que não fumam uma ambiente limpo do fumo dos outros. Mas a falta de respeito de alguns fumadores faz-me esperar ansiosamente por leis mais restritivas. É que no mundo em que vivemos há quem só respeite os outros se isso estiver na lei.

às 3/3/05 00:52, Blogger Confessionário disse...

Não sei como te dizer! Eu fumo. Não é que fume muito. Mas fumo. E às vezes apetece-me fumar em cada sítio. Tento não o fazer e serve sempre para provar a minha capacidade de dizer não, o que é bom para mim. Mas, ai ai. Há ocasiões em que... Porém, tens razão no que afirmas. De qualquer forma, há muita gente ineteressada por aí com as vendas de tabaco... e o estado é uma delas. Imagina os impostos que se perdiam!

 
às 21/3/05 18:42, Blogger Tão só, um Pai disse...

Eu quero deixar de fumar. Devo e tenho de o fazer. Há cerca de 3 anos, deixei de fumar por causa de uma pneumonia. Durante dois anos, não fumei. Depois, fui-me abaixo e recomecei. Parte do meu pulmão esquerdo está inutilizado. Mas, deixar de fumar, não é dizer "vou parar e não fumo mais", não é assim. Eu sei que me faz mal, quero deixar, mas não quero voltar a ser intratável, e sofrer de insónias. "Tem" que haver outra forma. Curioso, o facto de a maior parte dos médicos não saberem dar resposta a isto. E outros métodos que por aí se comercializam, como a "injecção" na orelha, ou os pensos de nicotina, também são falíveis. O único método que conheço, é o de comer que nem uma mula. Foi o que utilizei, quando tive de parar. Mas, para esse peditório, eu já dei. Aumentei de peso, de 70 para 110 quilos. Também não serve.

 
às 22/3/05 10:55, Blogger Unknown disse...

Não deve ser nada fácil... uma situação dessas. Não faço a mínima ideia da força necessária para largar esse vício.

Talvez por isso a minha ajuda para pessoas que querem deixar de fumar é um pouco limitada.

O meu conselho para quem nunca se meteu com tabaco é "Se sabes que te faz mal, porque vais experimentar, correndo o risco de ao fim de algumas tentativas começares a gostar disso? E depois o que fazes para deixar uma coisa que te faz mal mas de que gostas, ou de que tens dependência?"

Para quem fuma e têm dependência a coisa é mais complicada e clinicamente não sei mais do que os médicos. Não sei se faz muito sentido, mas se isso acontecesse com alguém perto de mim, ia tentar dar todo o meu apoio e estimulo para incentivar essa pessoa a reduzir gradualmente o consumo do tabaco, até eventualmente deixar de consumir. Acho que o estimulo positivo, o encorajamento, pode desempenhar um papel importante. Temos a tendência de moldar os nossos comportamentos pelos estimulos que recebemos. Se não houver ninguém à nossa volta a ajudar a deixar de fumar, penso que se torna mais complicado.

P.S. - Desculpem o meu desconhecimento sobre o assunto, mas acham que a via de redução de consumo de tabaco é viável?

 
às 22/3/05 18:57, Blogger Tão só, um Pai disse...

... há pessoas que vão por aí. Umas vão até ao fim. Outras, regressam, e pioram. Depende sempre. Normalmente, do "stress", do trabalho, por aí adiante. Penso que, se estivesse de férias e sózinho, por 15 dias, deixava de fumar.

 

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